Fiscalização encontra irregularidades no Ortotrauma na Zona Sul de João Pessoa

Ortotrauma em Mangabeira
"Só para se ter uma ideia, tinha baratas na enfermaria". A afirmação, feita pelo diretor de fiscalização do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), João Alberto Pessoa, é sobre a situação do Complexo Hospitalar Governador Tarcísio Burity, conhecido como Ortotrauma de Mangabeira, na Zona Sul da capital. Na manhã desta terça-feira (5), o órgão apresentou um relatório sobre a unidade hospitalar que constatou que após quase dez meses de uma fiscalização feita no local, não foi averiguada nenhuma melhoria. 

O relatório foi feito com base na averiguação realizada em 12 de junho de 2015 e em nova inspeção feita na tarde da segunda-feira (4), depois que pacientes denunciaram que um jovem teria sido agredido por um médico do hospital na noite do domingo (3).

De acordo com Alberto Pessoa, o hospital não tem condições de funcionar da forma como vem funcionando. "Pacientes que não podem sequer tomar um banho porque não têm como se secar e vai molhar o leito. O hospital não tem condições de funcionar e deveríamos interditar se o fechamento não causasse um caos ainda maior na saúde”, explicou. Além da falta de higiene, a fiscalização também constatou falta de medicamentos e de equipamentos, segundo o diretor. João Alberto comentou ainda que o relatório do CRM-PB vai ser concluído ainda nesta terça-feira, e em seguida deve ser encaminhado para o Ministério Público da Paraíba e para a Secretaria de Saúde de João Pessoa. 

Depois do recebimento do relatório, a prefeitura tem um prazo de 30 dias para regularizar a situação do Ortotrauma. 

Denúncia de agressão
Segundo pacientes que estavam na unidade no domingo, o jovem teria sofrido um tapa de um dos médicos da unidade. Os pacientes explicaram que a Polícia Militar chegou a ser chamada e um dos policiais também teria agredido o mesmo paciente.

“[O paciente] estava na cadeira de rodas esperando um raio X da perna e o médico chegou todo ignorante, falando palavrão com ele e chamando ele de ‘nego’. Ligamos pra polícia e a polícia já veio aqui falando com o amigo da gente, já batendo nele, jogando ele no chão. E ainda deu um tiro para cima e veio para cima de mim e deu na minha cara”, disse um amigo da vítima, que não quis se identificar.

O diretor administrativo do hospital, Carlos Lopes, explicou que a confusão começou por conta de uma cadeira de rodas. “Teve um paciente que se apossou de uma dessas cadeiras e, na hora de uma intercorrência, o maqueiro foi pedir a ele a cadeira e ele se recusou, já agressivo. Então o médico veio e também pediu para ele sair da cadeira porque era uma cadeira de pronto-atendimento.” Lopes disse que o paciente se recursou a entregar a cadeira e foi necessário que a polícia fosse acionada. “Ele se tornou mais agressivo e partiu pra cima do médico. Tanto do médico como do policial e do funcionário do plantão administrativo. Com isso, a polícia o conteve e o levou preso. Teve um disparo para conter os demais pacientes, um disparo normal que a polícia, em tumulto”, explicou

O coronel Henrique Sena, do 5º Batalhão de Polícia Militar, informou que a Corregedoria da Polícia Militar está investigando a postura dos policiais que agiram na ocorrência. Porém, ele adiantou que o policial teve, sim, que intervir na situação porque houve uma reação do paciente contra o médico e contra a própria polícia, quando tentou pegar a arma do policial.
O Sindicato dos Médicos disse que o que aconteceu não tem relação com a greve da categoria, que terminou no sábado (2) por conta de uma decisão judicial. Segundo o presidente do Simed, Tarcísio Campos, o caso foi pontual, uma discussão com um paciente intransigente que não quis ceder uma cadeira para outro mais urgente, que tinha acabado de chegar de um socorro do Corpo de Bombeiros.

G1

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